23 de julho de 2026
Reduzir a jornada não resolve o problema de mão de obra. O problema é o modelo.
O debate que está na pauta errada
O Brasil discute redução de jornada. Outros países já aprovaram. A
França tem 35 horas semanais há décadas. O Chile reduziu gradualmente
desde 2024. A premissa por trás dessas mudanças é que trabalhadores
com menos horas formais teriam mais qualidade de vida, maior
produtividade e menor necessidade de trabalho informal.
O que a prática mostra é diferente. E entender por que exige olhar
para o comportamento real do trabalhador, não para o texto da lei.
O que acontece quando a jornada cai mas o salário não sobe
O trabalhador que ganha um salário baixo e tem a jornada reduzida não
vai para casa descansar. Vai abrir o aplicativo da Uber. Vai aceitar
entrega pelo iFood. Vai se cadastrar em plataformas de trabalho sob
demanda para complementar a renda que o emprego principal não cobre.
A jornada formal diminuiu. A jornada real continuou exatamente igual.
O que mudou foi só onde ele trabalha nas horas que sobraram. O
empregador formal pagou menos pelo mesmo resultado operacional. O
trabalhador continuou trabalhando o mesmo tanto, mas agora parte do
trabalho dele financia uma plataforma de gig economy, não o negócio
que o contratou.
Isso não é hipótese. O Chile já está vendo esse fenômeno: reduziu a
jornada de trabalho gradualmente a partir de 2024 e a informalidade
avançou, concentrada exatamente nos setores operacionais que mais
dependem de mão de obra física, como comércio, construção e serviços,
segundo dados do INE chileno e da Superintendência de Pensões, que
registram informalidade entre 26% e 33% da força de trabalho.
O modelo como raiz do problema
O debate sobre jornada trata o sintoma sem chegar à causa. A causa é
que o modelo de contratação tradicional, como a CLT, foi desenhado
para uma relação de trabalho que uma parcela crescente da força de
trabalho não enxerga mais como vantajosa.
Salário fixo que não varia com a entrega. Horário que não varia com a
vida do trabalhador. Vínculo de longo prazo que amarra os dois lados
sem oferecer flexibilidade para nenhum. Para o trabalhador que quer
autonomia e renda proporcional ao que produz, esse modelo não é
segurança. É limitação.
E tem uma segunda camada que os debates sobre jornada ignoram
completamente: o valor atribuído à estabilidade mudou. A geração que
está entrando no mercado de trabalho não vê vinte anos numa mesma
empresa como trajetória de sucesso. Vê como restrição de experiência.
O trabalhador que ficou décadas num único emprego não construiu uma
carreira longa. Perdeu tempo que poderia ter sido usado para conhecer
mais, ganhar mais e escolher mais.
Esse é o julgamento real dessa geração sobre o modelo de emprego
formal tradicional. E ele não muda com uma redução de jornada.
O que o trabalhador aceita
O modelo que a geração atual aceita é o que oferece o que o modelo
tradicional não tem: autonomia de escolha, flexibilidade de horário e
renda proporcional à entrega.
É exatamente o que a iWof opera. O prestador de serviço escolhe quando
trabalhar, onde trabalhar e quantas horas dedicar. Abre o aplicativo,
vê as oportunidades disponíveis, se candidata e aparece porque quis
estar ali. Não porque foi convocado. Não porque o contrato obriga.
Essa escolha muda tudo. Quem escolheu aparecer trabalha diferente.
Entrega diferente. E não precisa abrir o app da Uber nas horas vagas
para complementar a renda, porque o modelo que escolheu já oferece
autonomia e remuneração proporcional ao que entrega.
A pauta certa
O problema de mão de obra no Brasil não vai se resolver com redução de
jornada. Vai se resolver quando o mercado oferecer modelos de trabalho
que o trabalhador realmente aceita e que as empresas conseguem operar
com eficiência financeira.
Isso exige mudar o modelo, não a régua de horas. E mudar o modelo é o
que separa as empresas que vão continuar travadas no ciclo de
contratação e rotatividade das que vão operar com mão de obra que
escolheu estar ali.
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