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Publicado

03 de agosto de 2026

NR-1 e saúde mental: o que cada empresa precisa saber antes que vire multa e processo

NR-1 e saúde mental: o que cada empresa precisa saber antes que vire multa e processo

NR-1 e saúde mental: o que cada empresa precisa saber antes que vire
multa e processo

Em 2025, o Brasil registrou 546 mil afastamentos do trabalho por
transtornos mentais. O maior número em uma década. Alta de 15% em
relação a 2024.

Ansiedade: 166 mil afastamentos. Depressão: 126 mil. Juntos, são o
segundo maior motivo de licença por incapacidade temporária no Brasil,
atrás só de doenças da coluna. Dados do Ministério da Previdência
Social.

O custo direto ao INSS chegou a R$ 3,5 bilhões em 2025. O custo para
as empresas, considerando queda de produtividade, substitutos,
retrabalho e passivo trabalhista, não tem estimativa consolidada. Mas
é bilionário.


O que mudou em maio de 2026

Desde 26 de maio de 2026, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a
incluir de forma explícita a gestão dos riscos psicossociais como
obrigação de toda empresa brasileira.

A atualização, feita pela Portaria MTE nº 1.419/2024, determina que
fatores como metas abusivas, jornadas excessivas, pressão constante,
assédio moral e sobrecarga crônica precisam ser identificados,
mapeados e gerenciados dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais
(GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de cada
organização.

Na prática, a saúde mental dos trabalhadores deixou de ser pauta
opcional de clima organizacional e passou a ser elemento de
conformidade legal. Com fiscalização, penalidade e risco de aumento de
passivo trabalhista em caso de não cumprimento.


O que o governo sinalizou

O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, foi direto: não haverá
recuo sem acordo formal entre empresas e trabalhadores. A norma está
em vigor. Empresas que não iniciaram o processo estão em atraso.


O que a empresa precisa fazer agora

A NR-1 atualizada não exige que a empresa vire um centro de saúde
mental. Exige que ela trate os riscos psicossociais como riscos
ocupacionais, com o mesmo rigor que trata riscos físicos e químicos.

Na prática, isso inclui:

Mapear os fatores de risco psicossocial. Identificar situações de
sobrecarga, metas abusivas, exposição a situações traumáticas, assédio
ou pressão crônica. Esse mapeamento precisa ser formal e documentado,
integrado ao PGR da empresa.

Criar canais de denúncia anonimizados. A norma prevê que trabalhadores
tenham onde registrar situações de risco psicossocial com proteção.
Esse canal precisa ter fluxo de investigação e relatório formal.

Formar comitê de ética com representação multidisciplinar. RH,
jurídico, compliance e diretoria precisam ter representação. Toda
denúncia investigada precisa de relatório formal analisado por esse
comitê.

Incluir saúde mental na CIPA. A Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes passa a ter atribuição sobre riscos psicossociais,
conectando o tema à segurança do trabalho.

Realizar treinamentos específicos. Não genéricos. Voltados ao
cotidiano real dos colaboradores na função que exercem.


Por que isso importa além da multa

A gestão de riscos psicossociais não é só um problema de compliance. É
um problema de resultado.

Pesquisa com mais de 150 mil trabalhadores aponta que o custo do
trabalhador que adoece por saúde mental vai muito além do benefício do
INSS. Envolve queda de produtividade antes do afastamento, perda de
qualidade na entrega, aumento de rotatividade e o custo do ciclo de
contratação, treinamento e integração do substituto.

Prevenir é mais barato. Quando a saúde mental não é tratada, ela
rapidamente se transforma em um problema físico. E o custo do
tratamento físico é muito mais alto.

A iWof não atua diretamente no campo de saúde mental. Mas opera num
problema adjacente e real: empresas que mantêm equipes
superdimensionadas, com pressão constante sobre trabalhadores em
funções que seriam mais bem resolvidas com escala flexível, contribuem
involuntariamente para o estresse crônico que a NR-1 agora obriga a
mapear.

Quando a operação tem equipe dimensionada para o pico o tempo todo, o
custo não é só financeiro. É humano.


Fontes:
- Ministério da Previdência Social — dados de afastamentos 2024 e 2025
- G1 / Globo — "Brasil tem mais de 4 milhões de afastamentos do
trabalho em 2025" (jan/2026)
- BritCham — webinar "Saúde Mental e o Impacto da NR-1 nas
organizações" (set/2025)
- Portaria MTE nº 1.419/2024 — atualização da NR-1
- G1 — "Saúde mental no trabalho: o que muda com a nova atualização da
NR-1" (mai/2026)

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